Um Estado que mata todos os dias,
uma imprensa que não se pronuncia,
o País da Imigração que se desmorona,
uma Luta que se faz urgente

Claudine Ntumba: mulher, refugiada, negra, de raízes africanas, nascida no Congo, mãe de dois filhos pequenos, foi esmagada pelos trilhos do metrô em São Paulo no dia 10 de maio de 2017. O ocorrido deixou também um dos filhos com a perna amputada. As circunstâncias da morte ainda são nebulosas e pouco se sabe sobre os rumos da apuração. Estado e organizações de direitos humanos ainda não se pronunciaram oficialmente. Reflexos e mais reflexos de uma “política para inglês ver”.

Há relatos e indícios de que Claudine estava há tempos em desespero na busca de proporcionar uma vida digna para sua família. No Brasil, não encontrou o tão sonhado ‘País Acolhedor da Imigração’ vendido no exterior. Encontrou, sim, um país que segrega a sua população pobre e negra há séculos. Artigo publicado nessa sexta (12/05) pela advogada de direitos humanos Gabriela Cunha revela que as condições a que essa mulher estava submetida desde que chegou em São Paulo já anunciavam uma tragédia.

O fato é que, independente das circunstâncias da morte em si, a realidade que grita e se escancara diante dos nossos olhos é a de mais uma mulher negra vítima da ação ou omissão do Estado.

Enquanto o presidente Temer propagandeia na ONU o Brasil como referência no acolhimento a refugiados, esses migrantes estão, na vida real, sucumbindo aos poucos em nosso país, sem nenhuma visibilidade e sensibilidade de parte da sociedade, ou dos meios de comunicação.

E a barbárie tende a se aprofundar: os cortes (demolição) de políticas públicas estão a todo o vapor – a Reforma Previdenciária, a Reforma Trabalhista, a PEC 241 responsável por retirar investimentos da educação e da saúde públicas e as privatizações de bens públicos –, empurrando grande parte da população para o abismo da exploração, em um cenário de 13 milhões de desempregados.

Quem matou Claudine Ntumba?

Toda solidariedade aos familiares e à comunidade africana.
Enquanto houver opressão, haverá LUTA.

Nossos mortos têm VOZ,
VIDAS negras importam.

#10deMaiode2017 #ClaudineNtumba
#DireitosHumanos #MemóriaEresistência”

 

Foto em destaque: Refugiados do Congo caminham na Praia de Copacabana em ato contra a guerra civil e as violações de direitos humanos e pela garantia de eleições presidenciais em seu país Fernando Frazão/Agência Brasil

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