O CONGO ESTÁ EM NOSSAS MÃOS – NOTA DO GAIR

No dia 20 de maio de 2016, o GRUPO INTERDISCIPLINAR DE APOIO JURÍDICO E CULTURAL AOS IMIGRANTES E REFUGIADOS – GAIR (atividade de extensão vinculada ao Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social da Faculdade de Direito da USP) recebeu a visita de Christo Kamanda – jornalista e ativista congolês no Brasil. Durante mais de uma hora, Christo deu uma aula sobre a verdadeira guerra que está em curso atualmente na República Democrática do Congo (RDC).

Ele começou a sua fala desenhando um mapa na lousa para mostrar como o Congo representa uma região geopolítica estratégica.

Durante séculos, o Congo foi explorado em suas riquezas naturais, como de diamantes e outros minérios, além de ter sua população escravizada para a retirada do látex para atender às empresas produtoras de borracha. Nessa época, os trabalhadores tinham suas mãos decepadas quando não atendiam à quota diária. Atualmente, embora conste “República Democrática” em seu nome, o Congo nada tem de republicano ou democrático, pois segue em curso uma guerra forjada para desviar o foco sobre as violações a direitos humanos que continuam a ocorrer de forma bárbara, sob os olhos dos organismos internacionais e dos principais países que exploram a região.

A República Democrática do Congo é vítima de uma invasão estrangeira, principalmente de países como Ruanda, Uganda e Burundi. Isso no Direito Internacional é a violação da soberania de um Estado.

Segundo o que Christo nos trouxe, a mídia internacional vende a ideia de uma “guerra civil” entre as mais de 400 etnias no país. Mas a verdadeira guerra, como ele diz, decorre de uma “gestão capitalista exploratória”, bem como do fato de que “todo mundo tem papel nessa guerra – as ongs, a ONU, o mundo”.  Isso porque 80% das reservas do Coltán (minério composto por columbite e tantalite) existentes no mundo se encontram no leste do Congo.

O Coltán é o principal minério necessário para a fabricação de celulares e computadores. A extração desse minério se dá em meio a uma série de denúncias de trabalho escravo que envolve crianças, mulheres e homens, sujeitos a todos os tipos de violência, com relatos diários de estupro e outros crimes bárbaros. Recentemente, a Anistia Internacional cobrou da Apple investigação sobre as suas fornecedoras que se encontram no Congo[1].

market congo

Conforme exposto por Christo, a RDC desde sua independência (1960) vem lutando para se estruturar. Enfrenta, desde 1996, uma Guerra oriunda do conflito tutsis x hutus (Ruanda, Uganda) – NÃO É GUERRA CIVIL – gestada pelos países exploradores do Coltán e petróleo (especialmente França, Alemanha, Reino Unido, Bélgica e EUA). Como ele expõe, a instabilidade da região é estratégica para aumentar o lucro das grandes empresas: reduz custos do minério, facilita a corrupção (exploração em áreas de proteção ambiental), facilita a exploração dos trabalhadores.

RDC em números: 20 anos de guerra; cerca de 20 milhões de mortos; estupros generalizados e cotidianos; trabalho escravo e infantil em larga escala; destruição da 2ª maior floresta equatorial do mundo; 500mil refugiados.

[1] http://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2016/06/anistia-internacional-pede-que-apple-investigue-se-ha-trabalho-infantil-em-linha-de-fornecimento.html

Texto originalmente publicado em: https://grupodepesquisatrabalhoecapital.wordpress.com/2016/06/29/o-congo-esta-em-nossas-maos-nota-do-gair/

Nessa quinta-feira, dia 16/03, Christo Kamanda e Hortense Mbuyi são os convidados do Gurpo Veredas que trabalha migrações e psicanálise. Confira mais informações sobre o evento pelo link http://bit.ly/2mVCyqG

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