Em 2017, o Instituto de Estudos de Gênero da Universidade Federal de Santa Catarina (Florianópolis, Brasil) irá sediar, junto com o Seminário Internacional Fazendo Gênero 11, a 13ª edição Women’s Worlds Congress, que terá lugar pela primeira vez na América do Sul. Este é um evento que reúne a cada três anos mulheres de todas as partes do mundo, tanto da academia como do ativismo. O encontro mobiliza setores diversos do feminismo, que vêm conquistando espaços nas últimas décadas, promovendo debates, releituras e autocríticas. A luta feminista é cotidiana, repleta de desafios, e ela se atualiza nas discussões promovidas em cada encontro, nas trocas de experiências, propostas de ação e no aprofundamento de situações locais.

Depois de passar por Israel, Holanda, Irlanda, Estados Unidos, Costa Rica, Austrália, Noruega, Uganda, Coreia, Espanha, Canadá e Índia, é a vez do Brasil sediar o Women’s Worlds Congress, em um único evento, com o Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 de 30 de julho a 4 de agosto de 2017. A temática que norteará o encontro é “Transformações, Conexões, Deslocamentos”. Com isso, queremos alargar esse lugar de diálogo para uma perspectiva mundial, afastada da hierarquia Norte-Sul, ou seja, um espaço onde se possa ouvir outras vozes, novas propostas, valorizar saberes, ampliar horizontes de estudo e de ativismo. Desse modo, seremos capazes de pensar e propor perspectivas inclusivas para os estudos feministas e possibilidades de construção feminista.

As línguas oficiais do 13th Women’s Worlds Congress & Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 serão português, espanhol e inglês.

O 13th Women’s Worlds Congress & Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 terá várias modalidades de participação: Simpósios Temáticos, Fóruns de Debate, Minicursos, Oficinas, Pôsteres (para estudantes de graduação e PIBIC/EM), Mostra Audiovisual, Exposição Arte e Gênero, Mostra de Fotografias.

Inscrições e mais informações na página oficial do evento aqui.

SIMPÓSIOS TEMÁTICOS ABORDAM MIGRAÇÕES E GÊNERO

O evento contará com mais de 100 simpósios temáticos coordenados por pesquisadores do mundo todo. Lista completa dos simpósios nesse link.

O Blog Somos Migrantes selecionou três propostas que abordarão o protagonismo e perspectiva das mulheres na realidade das migrações. É possível enviar resumos de trabalho a serem apresentados até o dia 13/02.

088. Migrações e fronteiras: intersecções de gêneros, identidades e cidadania

Coordenadoras/es: Francilene dos Santos Rodrigues (Universidade Federal de Roraima), Thais França da Silva (Instituto Universitário de Lisboa)

Resumo: Nas sociedades contemporâneas, cada vez mais as migrações nacionais, internacionais e transcontinentais relativizam as proposições essencialistas historicamente fundadas sobre os gêneros assumindo que as representações sobre mulheres e homens são diversas e plurais nos itinerários migratórios. Da mesma forma, o sentido que as mulheres conferem aos movimentos migratórios são igualmente diversificados e ampliam as possibilidades de análise da mobilidade humana nas suas mais diversas realidades e contextos que implicam deslocamentos compulsórios, transfronteiriços, transcontinentais, situações de refúgio, exílio, migrações irregulares, dentre outras categorias. Nos inúmeros trânsitos migratórios observa-se que as concepções de gênero, identidade e cidadania, diferem não apenas entre as sociedades ou os momentos históricos, mas no interior de uma dada sociedade, ao se considerar os diversos grupos (étnicos, religiosos, raciais, de classe) que a constituem. Entretanto, a questão de gênero segue ainda pouco valorizada nas análises das migrações, especialmente no que se refere aos estudos migratórios alicerçados quase exclusivamente nas questões relacionadas à mobilidade do trabalho historicamente baseada na migração eminentemente masculina. Todavia, na atualidade é inegável o fenômeno da “feminização das migrações” que apontam as mudanças protagonizadas pelas mulheres nos mais diversos contextos migratórios indicando um aumento quantitativo de mulheres em trânsitos migratórios, conferindo-lhes maior visibilidade e contribuindo para um maior empoderamento das mulheres e para promoção de seus direitos. O enfoque teórico da “feminização da migração” questiona a herança dos estudos migratórios que historicamente omitiram ou não mensuraram a presença das mulheres nas suas análises e metodologias. Sob essas premissas, o presente Simpósio Temático pretende reunir estudos relacionados às migrações contemporâneas tendo por referência os estudos de fronteiras nas perspectivas de gênero, aprofundando temáticas relacionadas às questões de identidade e cidadania. Constituir-se-á em um espaço de troca de saberes e aprofundamento teórico das migrações fronteiriças e transfronteiriças, nacionais e internacionais, bem como a feminização das migrações, seus impactos e paradoxos nos deslocamentos e mobilidades transcontinentais que têm as mulheres como protagonistas.

Palavras-chave: Migrações; Fronteiras; gênero; identidades; cidadania

090. Migrações nacionais, transoceânicas e transfronteiriças

Coordenadoras/es: Arlete Assumpção Momteiro (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Valeria de Oliveira (Universidade Federal de Rondônia)

Resumo: Migrações nacionais, transoceânicas e transfronteiriças
O Semimario Temático “Migrações nacionais, transoceânicas e transfronteiriças” pretende reunir pesquisadores que possuem pesquisas desenvolvidas ou em desenvolvimento que tratam da temática migrações, tanto como processo histórico como analisando os movimentos recentes que a sociedade moderna vem presenciando. Prioriza, de maneira particular, a Amazônia no que tange a formação de cidades e municípios originados por uma política governamental que atraiu uma gama de migrantes de varias partes do Brasil, principalmente do sul, assim como a trajetória histórica que passou a região, onde o imigrante e o migrante tiveram papel de destaque. Prioriza também movimentos migratórios transoceânicos, transfronteiriços e transcontinentais, tanto recentes como os que ocorreram no decorrer do século XIX e início do XX, com o desenvolvimento da agricultura cafeeira. De maneira geral os objetivos que norteiam o Seminário Temático proposto são:
Discutir estudos e pesquisas que tratam de movimentos migratórios nacionais e internacionais.
Compartilhar estudos recentes sobre o tema e/imigração.
Entender aspectos históricos pontuais de processos migratórios que ocorreram no Brasil e no cone sul da America do Sul.
Analisar o papel da escola pública brasileira frente a diversidade linguística dos alunos imigrantes ou filhos de imigrantes.
Na realidade, os estudos sobre a temática migrações envolve uma multiplicidade de áreas do conhecimento. A proposta do presente seminário tematico pretende discutir as metodologias utilizadas nas pesquisas realalizadas.

Palavras-chave: Cidades, educação, migrantes, processos migratórios transfronteiriços.

078. Intersecções entre gênero, migrações e resistências na América Latina

Coordenadoras/es: Gleys Ially Ramos dos Santos (Universidade Federal do Tocantins), Tanya Saunders (University of Florida)

Resumo: As migrações costumam figurar o lado visível de fenômenos espaciais que dizem respeito à movimentação das relações socioespaciais. Como mobilidade humana, é um sintoma de grandes transições nos bastidores da história. Em contexto a essa proposta, entendemos as migrações compulsórias como os deslocamentos populacionais de caráter obrigatório (expulsão, expurgamento ou desapropriações de terras realizadas pelo Estado). Migrar compulsoriamente significa ser obrigada/o a mudar de residência, morar em outro local, cidade, lócus, estado. Deixar para trás a casa, a terra natal, família, isto é, forçosamente, sair do lugar – físico e social. Na América Latina, encontra-se ao longo da história, diferentes e significativos fluxos de população. Estes intensificaram a relação campo-cidade nas décadas de 50 e 60, período marcado por violentas concentrações fundiárias e pela industrialização, principalmente, nos grandes centros urbanos. O processo de urbanização da Amazônia, concomitante, a vinda de grandes projetos (mineração, pecuária, exploração madeireira, agricultura modernizada), eclodiu em novos processos migratórios compulsórios impulsionados pelo capital estrangeiro. Foram milhares/milhões de expulsões, expurgamentos, mortes, atentados em prol da terra e da efetivação fundiária a partir dos grandes empreendimentos. Não houve passividade, ao contrário do que se pensa, com relação as classes subalternas. Diante do exposto, objetiva-se delinear e entender as formas de resistências que se organizaram ao longo dessas tensões na América Latina. No caso brasileiro, quase sempre essas resistências estão atreladas a ferida aberta no campo/rural – os latifúndios. Em toda América Latina, as mulheres se organizam e resistem de diferentes formas. Essas resistências estão imbricadas em diferentes religiões (Católicas e de matrizes africanas, sobretudo), orientações, classes, etnias, a partir da terra (mulheres camponesas), dos Territórios (mulheres indígenas e quilombolas), dos lócus (campo-cidade, ribeirinhas, pescadoras). São os elementos afetivos, simbólicos, subjetivos e culturais que permeiam, de maneira coletiva ou individual, que darão conta da compreensão das formas de danos sofridos pela migração forçada, em especial de crianças, mulheres e comunidades tradicionais. São essas resistências articuladas por mulheres, a partir da perda da terra e do território que motivam o interesse de entender como a América Latina resiste e resiste, sobretudo, através das Mulheres.

Palavras-chave: Gênero, Migrações, Resistências e América Latina

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