No livro Holocausto Brasileiro, escrito em 2013, a jornalista Daniela Arbex, descreve em detalhes um paralelo entre o massacre do Carandiru e o Hospício chamado Colônia localizado em Barbacena, que entre 1903 e 1980 torturou “loucos” e assassinou 60 mil pessoas (arrecadou R$ 600 mil com venda de corpos).

O que as duas tragédias tem em comum?

No Carandiru (sob o suposto Estado democrático de direito) e em Colônia (desde o início do século XX até se acentuar durante a ditadura), ninguém foi punido. Na terça passada (27), o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo anulou os julgamentos que condenavam policiais militares pelo massacre do Carandiru, em que 111 presidiários foram assassinados a queima roupa em 1992. Ver mais em: http://www.global.org.br/blog/carandiru-24-anos-do-massacre-que-justica-considerou-legitima-defesa/

“Tragédias como a do Colônia nos colocam frente a frente com a intolerância social que continua a produzir massacres: Carandiru, Candelária, Vigário Geral, Favela da Chatuba são apenas novos nomes para velhas formas de extermínio.O fato é que a história do Colônia é a nossa história. Ela representa a vergonha da omissão coletiva que faz mais e mais vítimas no Brasil.

Os campos de concentração vão além de Barbacena. Estão de volta nos hospitais públicos lotados que continuam a funcionar precariamente em muitas outras cidades brasileiras. Multiplicam-se nas prisões, nos centros de socioeducação para adolescentes em conflito com a lei, nas comunidades à mercê do tráfico. O descaso diante da realidade nos transforma em prisioneiros dela. Ao ignorá-la, nos tornamos cúmplices dos crimes que se repetem diariamente diante de nossos olhos. Enquanto o silêncio acobertar a indiferença, a sociedade continuará avançando em direção ao passado de barbárie. É tempo de escrever uma nova história e de mudar o final.” – Daniela Arbex, p. 254-255

 

ATO EM MEMÓRIA DOS 24 ANOS DO MASSACRE DO CARANDIRU

Fonte: https://www.facebook.com/events/263370500724254/?notif_t=plan_edited&notif_id=1475624848500590


– Às 15h será realizada uma coletiva de imprensa com familiares das vitímas da violência do Estado na Casa do Povo – Rua Três Rios, 252 – Bom Retiro.

– Às 17h, concentração para o ato na Praça do metrô Tiradentes.

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No dia 2 de outubro completam-se 24 anos do Massacre do Carandiru. Após uma rebelião no pavilhão 9 da penitenciária originada de uma briga entre alguns presos, cerca de trezentos policiais militares invadiram a casa de detenção do presídio e exterminaram (no mínimo) 111 homens desarmados e rendidos.

O Massacre do Carandiru não é de um caso isolado. A chacina faz parte da política prisional brasileira, a mesma que submete os detentos a condições de vida degradantes e assédio constante dos agentes prisionais, tanto em seus presídios adultos quanto nas Fundações Casa.

Viola-se os direitos mais básicos dos encarcerados porque, em sua enorme maioria, são sujeitos que sempre estiveram à margem do processo civilizatório brasileiro: indivíduos jovens, pretos, pobres e periféricos. Nas quebradas de ondem saem nossos presos, falta saneamento, creche, ensino e postos de saúde de qualidade. Esse mesmo Direito Penal que responde com violência aos marginalizados, no entanto, conserva intactos sujeitos como Fleury e Pedro Campos, os mandantes do Massacre do Carandiru.

Nossa política criminal, além de seletiva, é massiva. O Brasil já possui a terceira maior população carcerária do mundo, formada em boa parcela a partir de encarceramentos abusivos e ilegais. Não satisfeitos, setores ligados a indústria do cárcere tentam recrudescer ainda mais leis punitivas e restritas de direitos, avançando com projetos de redução da maioridade penal e aumento do tempo máximo de internação nas Fundações Casa.

Os diversos massacres, reais e estruturais, não são consequências de falhas do Direito Penal; ao contrário, são o resultado de seu perfeito funcionamento como estrutura repressiva das classes dominantes. Sendo assim, entendemos que a luta contra as grades e massacres é indissociável de todas as demais lutas dos trabalhadores.

NOSSOS MORTOS TÊM VOZ! NÃO ESQUECEREMOS!

Desta forma, convidamos todas e todos que lutam por uma vida desmilitarizada, descriminalizada e livre a relembrar no próximo 6 de outubro os (ao menos) 111 que foram mortos no Massacre do Carandiru e todas as outras vítimas da violência do Estado.

É um dia para celebrarmos a resistência daqueles que sobrevivem aos massacres cotidianos e ainda encontram forças para lutar.

Contra a grade, contra a bala! A resistência ao Estado não cala!

SEM JUSTIÇA NÃO HÁ PAZ! POR UMA VIDA SEM GRADES!
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ATO EM MEMÓRIA DOS 24 ANOS DO MASSACRE DO CARANDIRU
Dia 06/10 | às 17hrs
Concentração: Praça Metrô Tiradentes
Endereço: Praça Cel. Fernando Prestes, 30 – Bom Retiromaes-de-maio

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