Divulgação!

Fonte: http://bit.ly/2coQO4n

ONDE: República Autônoma do Povo de Rua (Viaduto Guadalajara – Belém)
QUANDO: 14 de setembro de 2016, às 19h
A República Autônoma do Povo de Rua fica embaixo do Viaduto Guadalajara. Saindo do metrô Belém para a Alcantara Machado, é só seguir a avenida a esquerda até o viaduto

Descrição do evento

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) define como refugiada a pessoa que escapou de conflito armado ou perseguição, e que precisa cruzar fronteiras internacionais para buscar segurança nos países mais próximos. Assim definida, a pessoa refugiada é reconhecida internacionalmente como tal, com isso garantindo acesso à assistência solidária dos Estados, do ACNUR e de outras organizações.

Se, por um lado, a definição do ACNUR é ampla o bastante para contemplar vítimas de guerras civis e perseguições políticas dos Estados que ocorrem em qualquer parte do mundo, por outro lado, devido à limitação que impõe pelo critério das fronteiras, não é capaz de abarcar um contingente cada vez maior de pessoas que fogem de conflitos e perseguições no âmbito local-urbano provocados pela exploração capitalista.

As ruas das cidades, hoje, são as novas fronteiras cruzadas diariamente por pessoas que, expropriadas pelo Estado e pelo mercado capitalista de seus bens e direitos, buscam nas vias públicas – calçadas, praças e baixos de viaduto – alguma proteção e sobrevida material. Pessoas em situação de rua são refugiadas urbanas contemporâneas que se deslocam, mas raramente permanecem, dentro de um mesmo território. Sua “estadia” em espaço público dura até o momento em que este espaço é requerido – em geral com o uso da violência – pelas forças do Estado e/ou do mercado. Nesse momento, x refugiadx urbanx empreende nova fuga.

Por isso, ao contrário das fronteiras internacionais, as fronteiras urbanas são móveis, definidas de tempos em tempos ao sabor dos interesses do mercado e do Estado que, juntos, especulam sobre a terra urbana e a exploram comercialmente por meio de projetos público-privados de “revitalização” e/ou “requalificação” dos espaços públicos.

É esse interesse capitalista que também define a existência dx refugiadx como um “corpo abjeto” incompatível com o espaço público [a ser] renovado. Para esse corpo abjeto, o Estado, mediador dos interesses capitalistas, oferece duas alternativas: 1) a inserção dx refugiadx em programas assistenciais que se resumem a manter seu corpo abjeto vivo e disciplinado – mas nunca emancipado; e 2) o cárcere, destino dos corpos abjetos indisciplinados. A fuga, portanto, é uma alternativa possível que x refugiadx urbanx tem para livrar-se da disciplina estatal-capitalista imposta ao seu corpo com o intuito de controlá-lo, muito embora não seja uma solução para o problema que a originou: a expropriação de bens e direitos praticadas contra as pessoas pelo Estado e pelo mercado. Nesse sentido, a rua e xs refugiadxs urbanxs são um paradoxo: a rua por ser, ao mesmo tempo, lugar de refúgio e de intensificação das expropriações de bens e direitos; e x refugiadx por ser, ao mesmo tempo, sobrevivente e uma pessoa prestes a ser eliminada durante a própria fuga.

Nesse sentido, é preciso aprofundar nas questões sobre xs refugiadxs urbanxs contemporânexs para entender suas complexidades e as de seu contexto:

– como se dá a expropriação de bens e direitos pelo Estado e pelo mercado?

– em que momento da expropriação se dá a fuga?

– como identificar as fronteiras a serem cruzadas?

– em que momento os limites das fronteiras da cidade capitalista são redefinidos pelo Estado e pelo mercado e x refugiadx está novamente em perigo?

– quando e com que frequência esses limites fronteiriços se renovam?

– quem assiste x refugiadx urbanx?

– quais as potências disruptivas da vida como refugiadx urbanx?

– quais os limites políticos, sociais e vitais de ser refugiadx urbanx?

– o espaço público urbano é espaço de resistência anticapitalista se ocupado como lugar de refúgio?

– o corpo abjeto, inserido e visível no espaço público capitalista, pode promover alguma ruptura anticapitalista?

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s