INTRODUÇÃO

O quarto e último encontro com a turma da Hemeroteca que aconteceu na última quinta, dia 01 de setembro, foi dedicado ao compartilhamento de informações e ideias sobre a cidade de São Paulo a partir da vivência de cada participante usando a cartografia como meio de expressão.

E claro, não poderia deixar de ter uma festinha de despedida com comidinhas e bebidas típicas para ficar na memória!

UTILIDADES DA CARTOGRAFIA

Iniciamos com uma breve discussão sobre como a cartografia pode ser um instrumento para ampliar o acesso à informação. A partir de alguns exemplos concretos, olhamos para os diferentes usos da cartografia como meio para denunciar ou chamar a atenção de algo no território. Foi apresentado o exemplo abaixo do uso da cartografia/infográfico para denunciar a exploração de trabalho escravo ainda hoje no Brasil:

Resultado de imagem para raio x trabalhador escravo

No mês em que completa 10 anos da Lei Maria da Penha, falamos também sobre os dados da violência de gênero. Foi apresentado o “Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres”. O estudo mostra que 50,3% das mortes violentas de mulheres no Brasil são cometidas por familiares. Desse total, 33,2% são parceiros ou ex-parceiros. Só no mês de junho passado o Estado de Pernambuco registrou 39 assassinatos de mulheres. O Brasil ocupa a 5a posição em um ranking de países que mais matam mulheres: uma mulher é assassinada a cada duas horas. A organização desses dados é fundamental tanto para evidenciar o machismo e violência que sofrem as mulheres no Brasil quanto para entender que ainda há muito que se avançar apesar das leis.

Outro exemplo de cartografia exibida tratava do mapeamento das ocupações das escolas pelos estudantes e os processos de luta recentes na cidade de São Paulo pelo transporte e educação públicas de qualidade. Confira aqui: http://bit.ly/2aoDcVy

CIDADE DE SP SOB OLHAR DOS MIGRANTES

Para a atividade, foram impressos dois mapas de São Paulo, um deles dando destaque para as regiões onde há concentração de migrantes na zona central e em Guarulhos. Veja a foto abaixo:

Mapa Ka.jpg
(Crédito: Cartografia da cidade de São Paulo em camadas sócio-econômicas elaborado por Aluizio Marino)

O mapa por si só já fala muito. Está dividido em camadas de cores para evidenciar as regiões da cidade em que até 20% (cores rosa e laranja) ou mais de 20% (cor vermelha) da população ganha até meio salário mínimo por pessoa, sendo que a área de cor roxa corresponde à região mais rica (até 10% dos domicílios com renda per capita de até meio salário mínimo). Percebemos que grande parte dos imigrantes que chegam a SP estão se concentrando nas regiões centrais – onde existe grande desigualdade – mas ao longo da atividade os participantes também localizaram outras comunidades de imigrantes nas zonas afastados do centro.

Nos encontros 1, 2 e 3 falamos sobre direito à informação e como o Estado está obrigado a garantir a todos e todas o acesso à informação. Mas como seria então um mapa construído pelos próprios migrantes que trouxesse de forma acessível informações de utilidade pública para os migrantes recém chegados na cidade?

Esse foi o ponto de partida para guiar a construção colaborativa do mapa pelos participantes em torno da cartografia. Qual lugar você recomendaria para o migrante que está chegando agora em SP?

Os símbolos abaixo serviram de base para inspirar as sugestões dos participantes:

Screenshot from 2016-08-31 00-04-05.png

Cada participante escreveu em um post-it o nome do lugar e endereço, compartilhando para os demais o que aquele espaço significava e sua experiência em outros espaços da cidade. Após contar sobre o que se tratava, colavam o post-it com o símbolo correspondente no mapa.

Surgiu uma riqueza muito grande de informações e trocas sobre a gigante São Paulo. Pudemos ver como é importante ter espaços como esses para que as informações possam circular e fazer chegar em quem precisa.

mapa h.jpg

Em breve, toda a riqueza de informações sobre lugares de utilidade pública e acolhimento de migrantes em São Paulo que estão sendo levantadas por todas as turmas do curso Todo Migrante Tem Direito à Informação estarão disponíveis em um mapa virtual para facilitar a consulta, compartilhamento e continuar sendo alimentado de forma colaborativa.

Lei Municipal de Políticas para Imigrantes e campanha contra Estatuto do Estrangeiro

Observamos também o que a recém aprovada Lei Municipal de Políticas para Imigrantes diz sobre acesso à informação e acessibilidade a serviços públicos:

Lei 16.478 / 2016

Art. 3º São diretrizes da atuação do Poder Público na
implementação da Política Municipal para a População Imigrante:

IV – garantir acessibilidade aos serviços públicos, facilitando a
identificação do imigrante por meio dos documentos de que for portador;

V – divulgar informações sobre os serviços públicos municipais
direcionadas à população imigrante, com distribuição de materiais
acessíveis;

Com relação a esse ponto, a coordenação de Políticas para Migrantes da CPMig e que tem apoiado  o projeto Todo Migrante Tem Direito à Informação pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos (SMDH) – informou que em breve a SMDH irá publicar um manual de direitos para imigrantes e com orientações fundamentais para essa população (em diversas línguas).

Acesse a Lei Municipal de Políticas para Migrantes – http://bit.ly/2aGKXHi

Acompanhe e apoie o projeto de lei para substituir o Estatuto de Estrangeiro, criado durante a ditadura civil-militar, e que até hoje criminaliza a nível nacional a situação dos migrantes. Veja um video sobre o que está sendo debatido nesse momento e como apoiar uma nova lei que respeite os direitos humanos dos migrantes: https://www.facebook.com/conectas/videos/1135910479820603/

FESTINHA DE DESPEDIDA E ENTREGA DE CERTIFICADOS!

Quando uma imagem diz mais que mil palavras…

img_9141

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS A:

todos e todas que puderem comparecer ao curso Todo Migrante Tem Direito à Informação (obs.: algumas pessoas muito especiais não puderam estar no último encontro e fizeram muita falta mas seguimos em contato!).

KIM COBER – kimcober@gmail.com

ALUIZIO MARINO – marinoprojetosculturais@gmail.com

SP ABERTA / PREFEITURA DE SÃO PAULO (responsável pela viabilização do projeto)

CPMig / SECRETARIA MUNICIPAL DE DIREITOS HUMANOS (apoiadora do projeto)

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