Introdução

A segunda turma do curso Todo Migrante Tem Direito à Informação foi organizada no próprio  Centro de Acolhida a Imigrantes, no mesmo local onde funciona o Centro de Referência de Atendimento a Imigrantes (CRAI) no bairro da Bela Vista em São Paulo. Mais informações e dados sobre o público atendido nesses espaços aqui.

Cerca de 30 migrantes de diversas nacionalidades da África estavam presentes para a atividade, incluindo mulheres com seus filhos recém-nascidos.

Enquanto terminávamos de arrumar a sala, pedimos para que cada participante escrevesse o seu nome em um pedaço de cartolina. Como alguns ainda não dominam o português, fizemos a tradução para inglês e um pouco de francês, com a colaboração solidária de Kim Cober.

Roda de apresentações e acolhida

Em círculo, demos início a uma roda de apresentações em que cada um poderia compartilhar com o grupo a história do seu nome.

Impossível descrever a riqueza das histórias que foram contadas. Todos tinham histórias marcantes que deram origem ao seu nome, conheciam a fundo suas raízes, que passavam por seus antepassados, elementos da natureza, cultura, nomes de guerreiros e alguns  muito ligados à religião.

Em seguida, passamos para a dinâmica Informação sobre seu país! Cada participante deveria escrever 1 palavra no post-it que significasse para ele/ela algo importante sobre o seu país, e em seguida deveria colar no Mapa-Mundi.

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Surgiram palavras bem diversas e cada um contou o motivo da escolha da palavra. Algumas traziam esperança e uma lembrança saudosa do povo de sua terra natal: como Solidariedade, Paz, Fraternidade. Outras palavras trazidas carregavam a dor da guerra, da corrupção que afeta os mais oprimidos e as desigualdades.

Direitos humanos em que contexto?

Para começar a conversar sobre esse tópico, foi exibido o vídeo Human Rights Story. Como tudo na história, os direitos humanos também tem vários lados, também são contraditórios e carregados de ideologia.

Os participantes se identificaram com alguns líderes políticos que apareceram no vídeo como Nelson Mandela e Martin Luther King. Explicaram que ainda hoje na África, apesar de leis que protegem os direitos humanos, a maioria dos países ainda sofrem com escravidão, perseguição política a pessoas contrárias ao governo e enormes desigualdades.

Foi muito marcante os relatos sobre a falta de liberdade de expressão e controle dos meios de comunicação nesses países. Os participantes contaram que em passeatas e protestos a polícia chega a jogar balde de água fervendo nos manifestantes, e quem é pego pela polícia é torturado e morto. Confira aqui a reportagem sobre a censura em Angola.

A questão do racismo em São Paulo foi trazida por um dos participantes. Ele relatou já ter sido vítima de racismo quando andava de transporte público. Disse que no metrô os brasileiros procuram sentar longe dos negros e que é visível o tratamento discriminatório  em vários espaços públicos.

Como os imigrantes que chegam a SP buscam informações?

Os participantes contaram que o principal meio de acessar informações é pela internet do celular. Costumam fazer uso da internet nos espaços públicos que oferecem wifi gratuita. Justamente por isso, trouxeram como demanda que seria muito importante ter uma sala com computadores e internet no próprio centro de acolhida, o que facilitaria muito a vida dos imigrantes recém-chegados.

Dentre outras fontes de informação apareceram algumas ONG’s e serviços públicos especializados em imigrantes e refugiados, conforme mapa abaixo.

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E por fim, conversamos sobre que tipos de informação os imigrantes em São Paulo precisam ter.

Surgiram muitas críticas sobre a demora no atendimento médico e na disponibilização de vagas na creche. Também levantaram os problemas e demora injustificada para obtenção do visto. Ainda, faltam informações sobre como validar o diploma.

Um relato chocante trazido por uma assistente social foi a presença de “coiotes” no Aeroporto de Guarulhos que estão cobrando 100 dólares somente para prestar informações sobre onde ficam os centros de acolhida e de atendimento aos imigrantes que chegam em situação precária.

Sem dúvidas, esse é mais um reflexo da omissão do Estado na proteção dos direitos fundamentais dos migrantes. Fundamental a cooperação entre todos os níveis de governo (Federal, Estadual e Municipal) e instituições públicas para evitar ainda mais violações a essa população, como é frequente no conector do Aeroporto de Guarulhos, apesar de pouco divulgado.

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Agradecimentos especiais a:

Toda a Equipe do CRAI e Centro de Acolhida / Sefras

Toda a Equipe da CPMig da Secretaria Municipal de Direitos Humanos

Kim Cober

 

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